Saúde auditiva

Exame de audição: o que é, como é feito e como ler o resultado

A audiometria é o exame que mede o som mais baixo que você consegue ouvir em diferentes frequências, dos graves aos agudos, em cada orelha. Ela é feita em cabine silenciosa, com fones, por fonoaudiólogo ou médico, não dói e não exige nenhum preparo complicado. O resultado mostra se a audição está dentro do padrão de normalidade e, se houver perda, qual o tipo, o grau e em quais frequências ela aparece. É o ponto de partida para o otorrinolaringologista investigar a causa e indicar o tratamento.

Audiometria: para que serve o exame

O Conselho Federal de Fonoaudiologia descreve a audiometria tonal como o exame padrão-ouro para o diagnóstico audiológico. Ela costuma ser pedida quando há:

  • dificuldade para entender conversas, principalmente em ambientes barulhentos;
  • zumbido persistente ou sensação de ouvido abafado;
  • exposição frequente a ruído, no trabalho ou no lazer;
  • queixas de familiares de que a pessoa aumenta muito o volume da TV;
  • acompanhamento de doenças do ouvido ou de tratamentos que podem afetar a audição;
  • exigência do trabalho, nos exames ocupacionais.

Se você se reconhece em vários desses pontos, vale conferir também os sinais de perda auditiva que costumam aparecer antes de a pessoa perceber.

Os testes que costumam fazer parte da avaliação

O que muita gente chama só de “exame de audição” pode reunir mais de um teste, conforme o pedido médico e a avaliação do profissional.

Audiometria tonal

Você ouve apitos (tons puros) em várias frequências e volumes e sinaliza toda vez que escuta, mesmo que bem baixinho. Primeiro pela via aérea, com fones sobre as orelhas. Se houver alteração, pela via óssea, com um pequeno vibrador apoiado atrás da orelha, que ajuda a mostrar em que parte do sistema auditivo está o problema.

Audiometria vocal (logoaudiometria)

Em vez de apitos, você ouve palavras e precisa repeti-las. O teste avalia a capacidade de detectar e reconhecer a fala, o que tem muito a ver com a dificuldade do dia a dia.

Imitanciometria

Uma pequena sonda na entrada do canal varia a pressão do ar e emite sons. Ela avalia a mobilidade do tímpano e dos ossinhos da orelha média (timpanometria) e os reflexos acústicos. Você não precisa responder nada, só ficar parado e evitar engolir ou falar durante a medição.

Como é o exame, do começo ao fim

  1. Entrevista. O profissional pergunta sobre queixas, histórico de ruído, doenças e uso de medicamentos.
  2. Inspeção do canal auditivo. Segundo o guia do Conselho Federal de Fonoaudiologia, a avaliação deve obrigatoriamente começar com essa inspeção. Um tampão de cera, por exemplo, pode impedir o exame naquele dia.
  3. Cabine acústica. Você entra numa cabine isolada, coloca os fones e recebe a instrução de como responder: levantar a mão ou apertar um botão.
  4. Testes tonais e de fala. O profissional muda frequências e volumes e registra o menor som que você percebe em cada uma.
  5. Imitanciometria, se pedida. Feita fora da cabine, em poucos minutos.
  6. Laudo. Os resultados vão para um gráfico, o audiograma, com a descrição do achado.

Como se preparar

  • Evite barulho nas horas anteriores. Show, balada, obra ou fone alto na véspera podem alterar temporariamente o resultado. No exame ocupacional, a NR-7 exige repouso auditivo mínimo de 14 horas.
  • Não tente limpar o canal com hastes. Se o ouvido parecer tampado, avise no agendamento.
  • Remarque se estiver gripado ou com dor de ouvido. Congestão e otite podem mudar o resultado.
  • Leve exames anteriores. A comparação ajuda a ver se houve mudança.
  • Informe se usa aparelho auditivo. Ele é retirado durante o teste.

Como entender o audiograma e o laudo

O audiograma é um gráfico: na linha horizontal ficam as frequências, em hertz (Hz), dos graves à esquerda para os agudos à direita; na vertical, a intensidade, em decibéis (dB), com os sons mais fracos no alto. Cada ponto marca o som mais baixo que você ouviu naquela frequência. Pelo padrão de símbolos adotado no Brasil, a orelha direita costuma aparecer com círculos vermelhos e a esquerda com “X” azuis. Quanto mais para baixo os pontos, maior a perda.

Grau da perda auditiva

Existem várias classificações reconhecidas, e o laudo deve dizer qual foi usada. Uma delas é a da Organização Mundial da Saúde (2021), que considera a média dos limiares em 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz:

Média dos limiares Classificação (OMS, 2021) Como costuma afetar em lugar silencioso
Menor que 20 dB Audição normal Sem dificuldade para ouvir
20 a menos de 35 dB Perda leve Em geral sem dificuldade; em ambiente ruidoso pode haver
35 a menos de 50 dB Perda moderada Pode haver dificuldade para ouvir conversas
50 a menos de 65 dB Perda moderadamente severa Dificuldade em conversas; voz alta ainda é ouvida
65 a menos de 80 dB Perda severa Dificuldade para ouvir a maior parte da conversa
80 a menos de 95 dB Perda profunda Dificuldade extrema, mesmo com voz alta
95 dB ou mais Perda completa Não ouve conversa nem a maioria dos sons do ambiente

Tipo da perda

Comparando via aérea e via óssea, o laudo indica o tipo: condutiva, quando o problema está no caminho do som até a orelha interna (cera, otite, alteração do tímpano); neurossensorial, quando está na orelha interna ou no nervo, como na perda por ruído ou pela idade; ou mista, quando há um pouco de cada. O laudo descreve, mas quem interpreta junto com a consulta e define a conduta é o médico.

Exame ocupacional e onde fazer

Para quem trabalha exposto a ruído acima dos níveis de ação, a NR-7 prevê audiometria na admissão, anualmente e na demissão, e o médico do trabalho pode encurtar esse intervalo. O exame deve ser feito em cabine adequada, por médico ou fonoaudiólogo. Protetor auricular não dispensa o exame; ele é parte da prevenção, e os modelos estão explicados no guia de protetor auricular.

Fora do trabalho, pelo SUS, o caminho começa na unidade básica de saúde, que avalia e encaminha para o serviço especializado. No plano de saúde ou em clínicas particulares, confirme antes se é exigido pedido médico e quais testes estão incluídos.

Perguntas frequentes

O exame de audição dói?

Não. Você só ouve sons e palavras pelos fones. Na imitanciometria pode haver uma leve sensação de pressão, parecida com a de uma descida de avião, que passa em segundos.

Criança pode fazer?

Sim, com técnicas adaptadas à idade. Em crianças pequenas, o profissional costuma transformar o teste em brincadeira. Recém-nascidos fazem outros exames de triagem auditiva, como o teste da orelhinha.

Meu exame deu normal, mas tenho zumbido. É possível?

É. O zumbido pode ter várias causas, e nem todas aparecem no exame básico. Converse com o otorrino sobre a investigação; o texto sobre zumbido no ouvido resume as possibilidades.

Apps de teste de audição substituem o exame?

Não. Eles podem servir de alerta, mas não têm o controle de ruído da cabine nem a calibração do equipamento. Resultado alterado no app é motivo para marcar o exame.

De quanto em quanto tempo devo repetir?

Não há regra única para a população em geral: depende da idade, das queixas e do resultado anterior. Quem usa fone por muitas horas deve cuidar do volume seguro do fone e seguir a frequência indicada pelo médico.

Guia rápido para o dia do exame

  • Evite ruído forte na véspera e, se for exame do trabalho, cumpra as 14 horas de repouso auditivo.
  • Não mexa no ouvido com hastes; avise se sentir o ouvido tampado.
  • Remarque se estiver gripado ou com dor de ouvido.
  • Leve exames anteriores e a lista de remédios que usa.
  • Leve o laudo ao otorrino: é ele quem investiga a causa e indica o tratamento.

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Portal Otologia.