Gaby Dabrowski transforma vitórias no SP Open em doações
Tenista canadense, diagnosticada com câncer de mama em 2024, doará US$ 640 após título de duplas com Luisa Stefani.
A tenista canadense Gaby Dabrowski, campeã de duplas do SP Open ao lado da brasileira Luisa Stefani, vai destinar US$ 640 à prevenção da violência contra mulheres e meninas. O valor corresponde a US$ 20 por game vencido na competição encerrada na segunda-feira (21), em São Paulo: foram 32 games.
Aos 34 anos, a quinta colocada do ranking mundial de duplas contou que o diagnóstico de câncer de mama, recebido em 2024, mudou sua relação com as quadras. Durante o tratamento, ela seguiu competindo, conquistou medalha de bronze nas duplas mistas dos Jogos Olímpicos de Paris e venceu o WTA Finals.
Diagnóstico e tratamento
Dabrowski percebeu um nódulo na mama esquerda em 2023, mas o achado foi minimizado em uma consulta. Como o caroço continuou presente e parecia maior, ela buscou outro profissional no ano seguinte e foi examinada.
O tumor estava no estágio 1A, tinha menos de 2 centímetros e não havia atingido os linfonodos. Segundo a tenista, o câncer era receptor hormonal positivo e HER2 negativo; por ter sido identificado cedo, ela passou por cirurgia para retirada do tumor com preservação da mama e não precisou de quimioterapia.
Com autorização médica, a atleta adiou a radioterapia até depois da Olimpíada. Depois, iniciou o uso de tamoxifeno, remédio que bloqueia a ação do estrogênio e deverá ser tomado por pelo menos cinco anos.
Efeitos e cuidados após a radioterapia
A jogadora relatou ondas de calor noturnas e dores nas articulações, efeitos que comparou aos sintomas da menopausa. Em 2025, uma crise de bronquite acompanhada de tosse levou a uma fratura nas costelas do lado esquerdo, que ela acredita poder ter sido favorecida por sequelas da radioterapia e que a afastou de Roland Garros.
Preocupada com a saúde óssea, Dabrowski passou a acompanhar periodicamente os níveis de vitamina D e cálcio em exames de sangue. Ela também disse que recorreu à meditação, a sons para dormir e à visualização durante o tratamento, numa tentativa de apoiar o próprio corpo.
Os médicos da atleta não identificaram uma explicação para o câncer. Ela não tinha histórico familiar da doença, e um teste genético não apontou mutações hereditárias ligadas ao risco de tumores de mama, como BRCA1 e BRCA2.
Doações ligadas aos resultados
A iniciativa de converter games vencidos em recursos para uma causa social foi proposta pela High Impact Athletes, organização que aproxima esportistas de instituições de caridade avaliadas por impacto. O dinheiro será destinado ao 1 in 3 Fund.
Vitórias no SP Open foram convertidas em doação.
- US$ 20Por game vencidoregra da temporada
- 32Games vencidosno SP Open
- US$ 640Doação totalcerca de 3,3 mil reais
- pelo menos cinco anosUso do tamoxifenoapós radioterapia
Dabrowski afirmou à Marie Claire que passou a disputar os torneios com menos pressão e mais motivação. “Estou jogando por algo maior do que eu mesma”, disse.
Com informações de revistamarieclaire.globo.com.
Foto de capa: LoGur/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
