Pesquisa aponta falta de preparo no atendimento a pacientes com deficiência
Levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia ouviu 180 especialistas entre julho e setembro de 2026.
A falta de treinamento específico é o principal obstáculo relatado por médicos para atender pessoas com deficiência em serviços de mastologia no Brasil, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). O levantamento, realizado entre julho e setembro de 2026, reuniu 180 especialistas, dos quais 87,8% eram mastologistas.
De acordo com a entidade, 97,2% dos participantes disseram não receber ou não ter recebido capacitação específica para esse atendimento. Para Mônica Travassos Jourdan, responsável pelo Departamento de Saúde Inclusiva da SBM, os dados indicam necessidade de formação continuada e de materiais de saúde mais acessíveis.
Treinamento é a barreira mais citada
A ausência de preparo foi apontada por 73,9% dos respondentes como a principal dificuldade. Barreiras físicas apareceram em seguida, citadas por 49,4%, e a falta de recursos foi mencionada por 37,8%.
Dados da pesquisa com especialistas da SBM
- 97,2%Sem treinamento específicoProfissionais consultados
- 73,9%Falta de treinamentoPrincipal obstáculo citado
- 49,4%Barreiras físicasDificuldade relatada
- 37,8%Falta de recursosDificuldade relatada
- 19,4%Uso frequente de comunicação alternativaPara deficiência auditiva
Embora 95,6% dos especialistas já tenham atendido pacientes com deficiência física, a maior parte avaliou a própria capacidade de atendimento como intermediária. Em uma escala de 1 a 5, 43,9% marcaram o nível 3.
Acesso à informação ainda é limitado
Para 71,7% dos participantes, clínicas e hospitais onde trabalham são fisicamente acessíveis. A avaliação sobre o acesso dos pacientes a informações sobre doenças mamárias, porém, foi predominantemente negativa: 43,9% classificaram esse aspecto como ruim e 39,4% como regular.
O uso frequente de recursos de comunicação alternativa com pacientes com deficiência auditiva foi informado por apenas 19,4% dos médicos. Já 58,3% declararam nunca utilizar esse tipo de recurso, segundo a pesquisa.
| Região dos participantes | Participação na pesquisa |
|---|---|
| Sudeste | 60% |
| Nordeste | 17,8% |
| Sul | 13,9% |
Medidas anunciadas pela SBM
Criado em 21 de setembro de 2025, o Departamento de Saúde Inclusiva da SBM foi apresentado pela entidade como uma iniciativa para ampliar a atenção ao rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer de mama entre pessoas com deficiência. O site da sociedade passou a oferecer informações em Libras e audiodescrição.
Segundo Mônica Jourdan, a pesquisa é o primeiro levantamento previsto pelo departamento sobre o impacto do câncer de mama nessa população. A SBM informou que os resultados reforçam a necessidade de programas de capacitação técnica e da produção de conteúdo informativo acessível.
Com informações de estadaomatogrosso.com.br.
