Pesquisa aponta demora no diagnóstico de asma, apesar de amplo conhecimento da doença
Levantamento Datafolha e GSK mostra que 46% dos pacientes com asma levaram mais de três anos para receber o diagnóstico.
A asma é conhecida por 84% dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha em parceria com a GSK, mas o diagnóstico ainda demora para parte dos pacientes. Entre pessoas com asma ouvidas no módulo específico do levantamento, 46% disseram ter esperado mais de três anos entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença.
O estudo ouviu mais de 2 mil pessoas em todas as regiões do país e incluiu 213 pacientes com diagnóstico de asma, doença pulmonar obstrutiva crônica ou rinossinusite com pólipos nasais. De acordo com especialistas consultados pela pesquisa, a dificuldade de acesso à espirometria, a falta de solicitação do exame e o atendimento concentrado em crises ajudam a explicar o atraso.
Controle ainda é limitado
A asma é uma inflamação crônica das vias aéreas e pode aparecer em qualquer etapa da vida, não apenas na infância. Falta de ar, chiado no peito, tosse persistente e pressão torácica estão entre os sintomas apontados pelos especialistas.
Dados da pesquisa Datafolha em parceria com a GSK
- 84%Conhecem a asma
- 58%Conhecem bem
- 46%Demora no diagnósticoMais de três anos
- 44%Doença controladaBem ou totalmente
- 24%Pouco controlePouco ou nada
Entre os pacientes que responderam sobre o controle da doença, uma parcela relatou convivência com sintomas ainda insuficientemente controlados.
| Situação relatada | Percentual |
|---|---|
| Bem ou totalmente controlada | 44% |
| Parcialmente controlada | 33% |
| Pouco ou nada controlada | 24% |
José Eduardo Delfini Cançado, professor de pneumologia da Santa Casa de São Paulo, afirmou que algumas pessoas passam a considerar crises ocasionais e cansaço durante esforços como inevitáveis. Segundo ele, o acompanhamento busca evitar limitações no dia a dia.
Exame pode levar até um ano
A espirometria, também chamada de prova de função pulmonar, é usada para confirmar o diagnóstico de asma. Mariana Gazzotti, diretora médica de ImunoResp e Produtos Estabelecidos da GSK Brasil, disse que, em alguns municípios, pacientes esperam até um ano pelo exame.
Cançado também associou o atraso à alta demanda na atenção básica e ao hábito de procurar atendimento somente durante crises. Segundo ele, sociedades médicas têm promovido capacitação de profissionais, especialmente na atenção primária.
Tratamento e impacto da doença
O Brasil tem 20 milhões de pessoas com asma, segundo Cançado. O especialista estima que 5% tenham a forma grave, grupo que responde por 50% a 60% dos gastos relacionados à doença no país.
O pneumologista explicou que o tratamento utiliza corticoides inalatórios e que, em casos com sintomas mais importantes, podem ser associados broncodilatadores. Quando a doença continua sem controle, há medicamentos alvo-específicos, chamados de imunobiológicos, conforme a fonte.
Com informações de drauziovarella.uol.com.br.
Foto de capa: U.S. Air Force photo by Tech. Sgt. Rachel Maxwell/Wikimedia Commons (Public domain)
