Endometriose teve sintomas registrados na Antiguidade, mas diagnóstico ainda demora
Dor pélvica intensa, menstruação muito dolorosa e infertilidade são sinais associados à doença, que atinge cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva.
A endometriose, doença crônica associada a dor pélvica, menstruações muito dolorosas e, em alguns casos, infertilidade, tem sintomas descritos em textos médicos desde a Antiguidade. Mesmo com o avanço dos estudos e dos exames, o diagnóstico ainda pode levar de sete a dez anos após os primeiros sintomas, segundo dados citados pelo g1.
A demora é relacionada tanto à variedade de manifestações da doença quanto à persistência da ideia de que dor durante a menstruação seria normal. A condição afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a quase 190 milhões de pessoas.
Da Antiguidade à definição da doença
As referências mais antigas a sintomas compatíveis com a endometriose aparecem em papiros médicos egípcios de aproximadamente 1855 a.C. Textos atribuídos a Hipócrates, produzidos entre os séculos 5 e 4 a.C., também registravam dores menstruais intensas, sangramentos anormais e dificuldade para engravidar.
Registros e avanços citados na reportagem
- 1855 a.C.Papiros egípciosSintomas compatíveis registrados
- Séculos 5 e 4 a.C.Textos hipocráticosDores e infertilidade descritas
- Década de 1860Lesões descritasObservações de Rokitansky
- 1921 a 1927Termo endometrioseAvanço clínico da doença
- 2022Estratégia francesaCombate à endometriose
Naquele período, esses quadros eram explicados pela teoria do “útero errante”, segundo a qual o órgão poderia se deslocar pelo corpo e causar problemas físicos e psicológicos. A interpretação não era correta, mas indica que o sofrimento já era observado, embora sem o conhecimento biológico necessário para compreender a doença.
Na década de 1860, o patologista Karl von Rokitansky descreveu lesões fora da cavidade uterina com estruturas semelhantes ao revestimento interno do útero. Entre 1921 e 1927, o ginecologista americano John A. Sampson introduziu o termo endometriose e ajudou a consolidá-la como uma condição clínica específica.
Sintomas e obstáculos ao diagnóstico
Além da dor pélvica e das cólicas menstruais intensas, a doença pode estar associada a fadiga persistente, dor durante relações sexuais, problemas digestivos e urinários e impacto na qualidade de vida. A diversidade dos sintomas pode fazer com que a condição seja confundida com outras doenças.
A reportagem aponta que, por séculos, dores ginecológicas foram tratadas como parte inevitável da vida das mulheres ou atribuídas a causas morais e psicológicas. Relatos de pacientes indicam que muitas ouviram por anos que suas dores eram “normais” ou consequência de estresse e ansiedade, o que pode postergar a investigação e o tratamento.
Exames e pesquisas em andamento
Nas últimas décadas, a ressonância magnética e a ultrassonografia especializada passaram a contribuir para a identificação de formas mais complexas da endometriose. O entendimento da doença também se ampliou: além das alterações nos tecidos, ela passou a ser reconhecida como uma condição crônica associada a processos inflamatórios.
A França lançou em 2022 uma Estratégia Nacional de Combate à Endometriose, voltada ao diagnóstico precoce, à organização do atendimento, à formação de profissionais e à pesquisa. O país também prevê o lançamento do projeto PRECURSOR, que deverá acompanhar adolescentes com menstruações muito dolorosas para avaliar se intervenções precoces podem evitar dor pélvica crônica e reduzir, no longo prazo, o risco de desenvolvimento da doença.
Com informações de g1.
