Apneia do sono pode ter sintomas menos conhecidos em mulheres
Revisão publicada em 2026 aponta que fadiga, insônia e sono não reparador podem atrasar o diagnóstico.
Mulheres com apneia obstrutiva do sono podem apresentar sinais diferentes dos mais associados ao distúrbio, como ronco intenso e sonolência excessiva durante o dia. Uma revisão publicada em março de 2026 na revista Pulmonary Therapy apontou que essa diferença contribui para o subdiagnóstico e para a demora na identificação da condição.
A apneia obstrutiva do sono provoca bloqueios repetidos da passagem de ar nas vias respiratórias superiores enquanto a pessoa dorme. As interrupções podem fragmentar o sono e alterar a oxigenação; segundo a revisão, até 75% das mulheres com o problema não sabem que têm o distúrbio.
Sinais que podem passar despercebidos
De acordo com os pesquisadores, mulheres relatam com frequência fadiga durante o dia, dificuldade para dormir, ansiedade, depressão e a sensação de não ter descansado, mesmo após uma noite de sono. Dores de cabeça pela manhã, perda de memória e dificuldade de concentração também aparecem entre as manifestações descritas.
Esses sintomas podem ser associados ao estresse, à ansiedade ou a mudanças na rotina, sem que se considere uma alteração respiratória noturna. Algumas pacientes têm despertares breves e repetidos, mas não conseguem percebê-los com clareza.
A fadiga também pode dificultar a suspeita. A revisão indica que mulheres podem ter falta de energia durante o dia sem apresentar a sonolência excessiva considerada típica da apneia.
Menopausa pode confundir a investigação
A frequência da apneia tende a aumentar na transição para a menopausa e após esse período, segundo os estudos revisados. Ondas de calor, alterações de humor e problemas para dormir que podem ocorrer nessa fase tornam mais difícil separar os efeitos hormonais de um possível distúrbio respiratório do sono.
Os autores afirmam que sintomas persistentes nessa fase não devem ser atribuídos automaticamente apenas à menopausa. Antes da menopausa, a apneia aparece associada, nos estudos citados, a depressão, síndrome metabólica e síndrome dos ovários policísticos; depois, hipertensão e diabetes são mais frequentes entre mulheres com o distúrbio.
As associações não significam que a apneia cause diretamente todos esses problemas. Ainda assim, a revisão aponta preocupação com possíveis consequências cardiovasculares e metabólicas quando a identificação demora.
Como é feita a avaliação
Questionários de triagem costumam dar mais peso ao ronco, à sonolência e a fatores físicos, o que pode deixar de fora sintomas mais relatados por mulheres. A revisão também descreve diferenças nos exames do sono, como mais episódios de hipopneia, alterações concentradas no sono REM e despertares ligados ao esforço respiratório.
Segundo os pesquisadores, a investigação depende de avaliação clínica e, quando indicada, de exames que acompanhem o funcionamento do sono. Eles defendem que a fragmentação do sono e outros indicadores fisiológicos sejam considerados, além do índice de apneia-hipopneia usado para classificar a gravidade do quadro.
Com informações de tnh1.com.br.
Foto de capa: Vyacheslav Argenberg/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
