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Golpe pelo WhatsApp: os truques mais comuns e como não cair

Os golpes no WhatsApp quase sempre seguem o mesmo roteiro: alguém se passa por uma pessoa ou empresa de confiança, cria urgência e pede dinheiro, um código ou um clique. A proteção passa por duas frentes. A primeira é desconfiar de qualquer pedido de Pix ou de código que chegue por mensagem, mesmo que pareça vir de um filho, da mãe ou do banco. A segunda é deixar a conta configurada para dificultar a clonagem. A seguir estão os golpes que mais circulam, os sinais que entregam cada um, os ajustes que valem a pena fazer hoje e o passo a passo se você ou alguém da família cair.

Como os golpistas convencem a vítima

A maioria desses golpes não depende de invadir o celular. O criminoso aposta na pressa e na boa vontade de quem recebe a mensagem. Três gatilhos aparecem o tempo todo:

  • Urgência: “preciso pagar isso hoje”, “sua conta será bloqueada em 1 hora”, “a promoção acaba agora”.
  • Autoridade ou afeto: a mensagem vem de um “gerente”, de um “atendente” ou de um parente com foto conhecida no perfil.
  • Segredo: “não conta para ninguém”, “não liga que estou sem sinal”, “fala só comigo por aqui”.

Quando os três aparecem juntos, a chance de ser golpe é enorme. A regra prática é simples: pedido de dinheiro ou de código por mensagem só é atendido depois de confirmado por outro caminho, como uma ligação para o número antigo da pessoa ou uma conversa pessoalmente.

Os golpes no WhatsApp que mais fazem vítimas

Falso parente com número novo

Chega uma mensagem de um número desconhecido, com a foto de um filho, sobrinho ou neto: “Oi, mãe, troquei de número, salva esse”. Pouco depois vem o pedido: um boleto atrasado, uma transferência que “não está passando no meu banco”, um Pix para um terceiro. A foto costuma ser copiada de redes sociais abertas. O detalhe que entrega o golpe é a recusa em atender ligação ou em fazer chamada de vídeo. Há também relatos recentes de golpistas que falsificam o número exibido em ligações comuns para parecer um parente ou o banco, então nem uma chamada vinda de número conhecido deve ser tratada como prova quando o assunto é dinheiro.

Clonagem pelo código de verificação

O WhatsApp envia um código por SMS ou ligação sempre que alguém tenta registrar o seu número em outro aparelho. O golpista inicia esse registro e, em seguida, entra em contato fingindo ser de uma loja, de uma pesquisa, de uma entrega ou de um sorteio, pedindo que você “confirme” o código que acabou de chegar. Quem repassa os números entrega a conta. A partir daí, o criminoso escreve para todos os seus contatos pedindo dinheiro em seu nome. Nenhuma empresa séria pede esse código.

Falsa central do banco

Uma conta com o logotipo do banco e nome de “Central de Segurança” avisa sobre uma compra suspeita e oferece ajuda para “cancelar”. A vítima é levada a instalar um aplicativo de acesso remoto, a digitar senhas ou a fazer um Pix para uma “conta de segurança”. Bancos não pedem senha por mensagem e não transferem dinheiro para “proteger” o cliente.

Promoções, vagas e “tarefas pagas”

Links para cupons de lojas famosas, auxílios do governo que não existem ou vagas de emprego com salário alto para curtir vídeos e avaliar produtos. No caso das tarefas, o golpista paga pequenos valores no começo para ganhar confiança e depois pede um “investimento” para liberar ganhos maiores. O dinheiro some.

Venda falsa e comprovante adulterado

Em grupos de compra e venda, o golpe corre para os dois lados. Quem compra paga por um produto que nunca chega. Quem vende recebe um comprovante de Pix editado e entrega a mercadoria sem o dinheiro ter caído. Antes de enviar qualquer coisa, confira o saldo no aplicativo do banco, não a imagem enviada pelo comprador.

Tabela rápida: sinal de alerta e reação certa

Golpe Como começa Sinal que entrega O que fazer
Falso parente “Troquei de número, salva esse” Pede Pix e evita ligação ou vídeo Ligar para o número antigo ou fazer uma pergunta que só a pessoa saberia
Código de verificação Contato de “loja”, “pesquisa” ou “entrega” Pede o código de 6 dígitos recebido por SMS Nunca repassar o código e ativar a confirmação em duas etapas
Falsa central do banco Aviso de compra suspeita Pede senha, app de acesso remoto ou transferência Encerrar a conversa e ligar para o número do verso do cartão
Tarefas pagas Oferta de renda fácil Pede depósito para “liberar” ganhos Bloquear e denunciar a conta no aplicativo
Comprovante falso Comprador com pressa Manda print em vez de o dinheiro cair Só entregar após conferir o saldo no app do banco

Configurações que dificultam a clonagem da conta

Alguns minutos nas configurações evitam boa parte dos problemas. Os nomes dos menus mudam um pouco entre Android e iPhone e entre versões do aplicativo, mas o caminho geral é este:

  1. Confirmação em duas etapas: em Configurações > Conta > Confirmação em duas etapas, crie um PIN de seis dígitos e cadastre um e-mail. Com isso, mesmo que alguém consiga o código do SMS, precisará também do PIN para registrar o seu número. Vale fazer o mesmo nas outras contas importantes, como explicamos no guia sobre senha forte e proteção extra de login.
  2. Foto de perfil e recado: em Configurações > Privacidade, deixe a foto visível só para os seus contatos. Isso dificulta que golpistas copiem sua imagem.
  3. Grupos: na mesma área de privacidade, limite quem pode adicionar você a grupos. Muitos golpes começam em grupos criados do nada.
  4. Ligações de desconhecidos: o aplicativo permite silenciar chamadas de números que não estão na sua agenda.
  5. Aparelhos conectados: confira de vez em quando a lista de aparelhos conectados e desconecte qualquer um que você não reconheça.

Explique essas configurações para pais e avós. Eles costumam ser o alvo preferido do golpe do falso parente e, muitas vezes, nunca abriram o menu de privacidade.

Caí no golpe: o que fazer nas primeiras horas

A velocidade faz diferença, principalmente quando houve Pix. Siga esta ordem:

  1. Acione o banco imediatamente. Peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, o MED, criado pelo Banco Central para casos de fraude no Pix. Desde fevereiro de 2026, os bancos adotam a versão atualizada do mecanismo, que permite rastrear o dinheiro mesmo quando ele é repassado para outras contas, e precisam oferecer a contestação pelo próprio aplicativo, na área do Pix. O pedido pode ser feito em até 80 dias após o pagamento, mas quanto antes, maior a chance de o valor ainda estar na conta do golpista. Mais informações estão na página do Pix no Banco Central.
  2. Registre boletim de ocorrência. Na maioria dos estados dá para fazer pela delegacia eletrônica da Polícia Civil. Guarde prints das conversas, o número usado pelo golpista e os comprovantes.
  3. Se a conta foi clonada, reinstale o WhatsApp e faça o registro de novo com o seu número. Ao receber o código, você retoma o acesso e o outro aparelho é desconectado. Se houver PIN de duas etapas criado pelo golpista, use a opção de ajuda do próprio aplicativo.
  4. Avise seus contatos por outro canal, como Instagram, SMS ou ligação, para que ninguém faça transferências em seu nome.
  5. Denuncie a conta do golpista dentro do aplicativo, na opção de denunciar e bloquear.

Se a fraude aconteceu em uma compra de loja falsa anunciada no aplicativo, a solução passa pelo banco e pela polícia. Já em compras reais feitas pela internet, você tem outros direitos, como o prazo para desistir, detalhado no texto sobre como desistir de uma compra online.

Perguntas frequentes

O WhatsApp pode ser clonado sem eu passar o código?

É bem mais difícil. O caminho mais comum é a vítima repassar o código de verificação. Com a confirmação em duas etapas ativa, o golpista também precisaria do seu PIN, o que bloqueia a maior parte das tentativas.

O banco é obrigado a devolver o dinheiro do Pix?

Não existe garantia de devolução. O MED permite bloquear e devolver valores que ainda estejam nas contas envolvidas. Se o dinheiro já foi sacado ou pulverizado, a recuperação pode ser parcial ou não acontecer.

Recebi mensagem de parente pedindo dinheiro. Como confirmar sem ofender?

Ligue para o número antigo ou peça uma chamada de vídeo. Muitas famílias combinam uma palavra-chave para esse tipo de situação. Quem é realmente seu parente vai entender a checagem.

Clicar em um link suspeito já é suficiente para cair no golpe?

Em geral, o problema vem depois do clique: preencher dados, baixar um arquivo ou instalar um aplicativo. Se clicou e digitou senhas, troque-as na hora e avise o banco.

Vale a pena registrar boletim de ocorrência mesmo com valor pequeno?

Sim. O registro ajuda na contestação com o banco e serve de base para investigações que reúnem várias vítimas do mesmo golpista.

Checklist para a família inteira

  • Ativar a confirmação em duas etapas com PIN e e-mail em todos os celulares da casa.
  • Combinar uma palavra-chave para pedidos de dinheiro.
  • Nunca repassar códigos recebidos por SMS, seja para quem for.
  • Confirmar qualquer pedido de Pix por ligação ou pessoalmente.
  • Em caso de golpe, falar com o banco no mesmo dia, pedir o MED e registrar a ocorrência.

Por exemplo, se um “sobrinho” pede R$ 800 para pagar um boleto urgente, a checagem de dois minutos por telefone custa muito menos do que tentar recuperar o dinheiro depois.

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Portal Otologia.