Ar-condicionado descartado vira experimento de refrigeração com tubos no solo
Protótipo conectou aparelho recuperado a 610 metros de tubulação enterrada, mas não comprovou eficiência superior à de modelos comerciais.
Um ar-condicionado de janela recuperado do lixo foi usado em um experimento doméstico de climatização que conecta o aparelho a cerca de 610 metros de tubulação enterrada no quintal. O projeto, relatado em publicação de 24 de setembro de 2026, usa o solo para receber o calor retirado do ambiente interno, em vez de liberá-lo diretamente no ar externo.
A adaptação aproveitou o circuito de refrigeração que já funcionava no equipamento. O condensador passou a fazer troca térmica com a água de um circuito subterrâneo, transformando a tubulação enterrada em uma espécie de dissipador de calor.
Como funciona o sistema
Antes da adaptação, os tubos enterrados haviam sido instalados para tentar resfriar a casa somente com a temperatura do terreno. O conjunto tem quatro circuitos de tubos PEX, enterrados entre 1,8 e 2,4 metros de profundidade, mas não retirava sozinho calor suficiente do imóvel.
A solução foi manter essa estrutura e conectar o ar-condicionado a ela. Foi construído um reservatório metálico em torno do condensador original, permitindo que a água circulasse em contato térmico com o trocador do aparelho e levasse o calor até os tubos no solo.
O projeto reutilizou componentes como compressor, evaporador, condensador e eletrônica. Segundo o relato, a estabilidade da temperatura subterrânea pode criar condições mais favoráveis para a troca de calor do que o ar externo em períodos muito quentes.
Medições do protótipo
Nas medições divulgadas, o equipamento liberou ar entre 9,4 °C e 12,2 °C. A diferença entre as temperaturas de entrada e saída chegou perto de 14,7 °C, enquanto o circuito hidráulico movimentava cerca de 12,5 litros de água por minuto.
Dados divulgados sobre a instalação e o funcionamento do protótipo.
- 610 metrosTubulação enterradadividida em quatro circuitos
- 1,8 a 2,4 metrosProfundidadeinstalação no terreno
- 9,4 °C a 12,2 °CAr de saídanas primeiras medições
- 14,7 °CDiferença térmicaentre entrada e saída
- 12,5 litros por minutoVazão de águano circuito hidráulico
Os resultados indicam que o protótipo consegue transferir calor e produzir refrigeração. Eles não permitem afirmar, porém, que a montagem seja mais eficiente que um sistema comercial moderno, pois faltam dados sobre a energia térmica transferida e o consumo elétrico total, incluindo compressor e bomba de circulação.
Limites e cuidados
O experimento é apresentado como uma demonstração de engenharia e de reaproveitamento de peças, não como orientação para modificar equipamentos domésticos. Circuitos de refrigeração operam sob pressão e podem usar refrigerantes que exigem ferramentas, procedimentos e conhecimento técnico específicos.
De acordo com o material, abrir tubulações ou liberar e recarregar refrigerante sem qualificação pode trazer riscos ambientais e de segurança. Alterações no condensador e a criação de reservatórios artesanais também podem comprometer o retorno de óleo, a vedação, a resistência à corrosão e a vida útil do compressor.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: The wub/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
