Escolas do DF levam educação antirracista para a rotina das aulas
Projetos no Riacho Fundo II e no Guará abordam identidade e cultura negra ao longo do ano letivo.
A educação antirracista faz parte do planejamento do Centro de Ensino Médio (CEM) 01 do Riacho Fundo II, no Distrito Federal. A escola realiza um seminário anual sobre o tema, mas trabalha a história, a cultura e as referências negras durante todo o ano letivo.
Segundo a direção, uma avaliação apontou que mais de 66% dos estudantes se autodeclaram negros. O resultado levou a equipe a discutir como ampliar a presença dessas referências nas atividades escolares. Para o diretor Júlio Molinari, o trabalho expressa um compromisso da escola com a comunidade, e não se limita a um evento.
Projetos nas aulas
No Centro de Ensino Fundamental 04 do Guará, a professora de língua portuguesa Anna Alice de Sousa Nunes desenvolve projetos com a professora de ciências Maria Eduarda Alves Paes. Uma das atividades previstas para este ano é um sarau inspirado na obra de Conceição Evaristo, com poemas, dança e fotografias dos estudantes.
Anna Alice defende que o assunto seja tratado em diferentes disciplinas, não apenas nas atividades do Dia da Consciência Negra. Ela aponta a falta de formação de professores como um dos obstáculos para abordar o tema de modo contínuo.
O que prevê a legislação
A Lei nº 11.645/2008 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena no ensino fundamental e médio. Segundo o texto da lei citado na reportagem, esses conteúdos devem aparecer em todo o currículo escolar, sem ficar restritos a uma disciplina.
Dados e referências citados na reportagem
- mais de 66%Estudantes negrosAutodeclaração no CEM 01
- 11.645/2008Lei federalPrevê ensino de história e cultura
- 16 anosIdade de RafaelaSelecionada para intercâmbio na Espanha
De acordo com a Secretaria de Educação do Distrito Federal, a rede orienta as escolas a incluir a educação antirracista em seus projetos pedagógicos e oferece materiais de apoio e formação aos profissionais. No CEM 01, a estudante Rafaela Queiroz, de 16 anos, relaciona o trabalho da escola ao sentimento de pertencimento que passou a experimentar. Ela foi selecionada para uma oportunidade de intercâmbio na Espanha.
Com informações de correiobraziliense.com.br.
Foto de capa: Adriano3000/Wikimedia Commons (Public domain)
