Prova de matemática da Unicamp cobra raciocínio e leitura além de fórmulas
Professores ouvidos pelo g1 apontam que questões do vestibular usam situações cotidianas e exigem interpretação.
A prova de matemática da Unicamp prioriza problemas ligados ao cotidiano e cobra do candidato interpretação de texto, organização de informações e raciocínio lógico, segundo professores ouvidos pelo g1 em reportagem publicada em 23 de setembro. A proposta, de acordo com os docentes, vai além da memorização de fórmulas.
Pedro Lucas, coordenador pedagógico e professor do Cursinho Popular Herbert de Souza, afirma que a abordagem relaciona conhecimentos de diferentes áreas. Já Rodrigo Serra, professor de matemática do Colégio Oficina do Estudante, disse que os enunciados fornecem dados que o estudante precisa transformar em informação relevante para chegar à solução.
Situações comuns viram problemas matemáticos
Um exemplo citado na reportagem veio da prova da Unicamp de 2025. A questão apresentava um celular que custava R$ 2.000,00 em janeiro, recebeu dois reajustes de 10% e, depois, um desconto de 20% em uma promoção.
Valores e percentuais usados em questão da Unicamp 2025.
- R$ 2.000,00Janeiropreço inicial
- 10%Abrilprimeiro reajuste
- 10%Junhosegundo reajuste
- 20%Novembrodesconto da promoção
Segundo Serra, o exercício exige conhecimento de porcentagem, sem depender de uma fórmula específica. Após os dois aumentos, o preço chegou a R$ 2.420,00; com o desconto, o valor pago seria R$ 1.936,00.
Lógica também é cobrada
Outra questão, da prova de 2024, tratava da escolha entre bicicleta e patins por três amigas. A resposta dependia de interpretar corretamente condições apresentadas no enunciado, sem fazer cálculos ou aplicar fórmulas.
No caso, a informação de que Carol andou de patins permite concluir que Bruna não andou de patins, conforme a regra apresentada na questão. Para os professores, esse tipo de exercício mostra que entender o sentido das relações lógicas é parte central da resolução.
Tempo influencia a estratégia
Lucas afirmou que buscar caminhos alternativos pode reduzir etapas e diminuir a chance de erros em questões mais longas. Ele citou as equações de segundo grau como exemplo de problema que pode ter soluções mais práticas do que o uso automático do método tradicional.
Na prova da Unicamp, são 72 questões em cinco horas, de acordo com o coordenador. Por isso, ele defende que o estudante analise o contexto antes de iniciar as contas e use a memorização como um recurso, não como única estratégia.
Com informações de g1.
Foto de capa: Priscila Micaroni Lalli (prilalli@gmail.com)/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.5)
