Alfabetização bilíngue ensina Libras e português escrito a estudantes surdos
No Dia Nacional do Surdo, experiência de Camaçari mostra como as duas línguas são trabalhadas na escola.
A alfabetização de estudantes surdos é tema de debate neste 26 de setembro, Dia Nacional do Surdo. Em Camaçari, na Bahia, a rede municipal trabalha com a Libras e o português escrito de forma articulada para que as crianças construam conceitos e aprendam a ler e escrever.
Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), na educação bilíngue de surdos a Libras é a língua usada para ensinar e se comunicar, enquanto o português escrito é aprendido como segunda língua. A proposta considera que a criança pode compreender um conceito em uma língua visual antes de relacioná-lo à palavra escrita.
Como funciona a alfabetização
De acordo com a Secretaria Municipal da Educação de Camaçari, as atividades podem usar imagens, objetos, histórias, jogos, vídeos e situações do cotidiano. A professora Elvira Laporte, coordenadora da Educação Especial Inclusiva do município, explica que o trabalho relaciona o sinal em Libras ao conceito e, depois, à escrita em português.
Na equipe citada pela secretaria, o professor surdo Caio César Gondin atua no desenvolvimento da Libras como primeira língua. A professora Izabel Cristina Santos trabalha o português escrito como segunda língua; os dois processos são conduzidos de maneira articulada.
Atendimento em Camaçari
A rede municipal informa que tem 18 estudantes surdos matriculados da Educação Infantil aos Anos Finais. Desse total, 8 estudantes, com idades entre 7 e 21 anos, estão em processo de alfabetização no serviço especializado.
Segundo a secretaria, estudantes surdos já alfabetizados que frequentam a rede regular contam com intérpretes de Libras. Familiares também participam de momentos de aprendizagem da língua de sinais junto com os filhos, para ampliar a comunicação fora da escola.
Panorama na Bahia
O Censo Escolar 2024 registrou, em classes comuns do ensino regular e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Bahia, os seguintes números de matrículas:
Registros em classes comuns do ensino regular e da EJA em 2024.
| Condição registrada | Estudantes |
|---|---|
| Surdez | 1.258 |
| Deficiência auditiva | 3.972 |
| Surdocegueira | 57 |
Na rede estadual, a Secretaria da Educação da Bahia informou 593 alunos matriculados em 2026 declarados com surdez. Segundo o órgão, o atendimento inclui profissionais como intérpretes e instrutores de Libras.
Com informações de atarde.com.br.
Foto de capa: Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
