Pacientes em fim de vida relatam visões de familiares e lembranças antigas
Especialista em cuidados paliativos diz que os relatos podem trazer conforto, mas ainda não têm explicação definitiva.
Pacientes nos últimos dias de vida às vezes relatam ver familiares que morreram, reviver lembranças antigas ou sentir a presença de alguém querido. Essas experiências são observadas por profissionais de cuidados paliativos, segundo o médico Chris Kerr, que estuda o tema.
Os episódios são descritos na literatura especializada como sonhos e visões de fim de vida, embora também possam ocorrer quando a pessoa está acordada. Ainda não se sabe por que acontecem nem se têm a mesma origem em todos os pacientes.
Relatos que se repetem
Em entrevista ao jornal britânico The Times, Kerr disse que equipes de enfermagem identificam padrões nos relatos de pacientes terminais. Entre eles estão conversas com pessoas que já morreram, a sensação de não estar sozinho e lembranças de acontecimentos importantes. Para alguns pacientes, essas experiências parecem trazer conforto.
O médico descreveu o caso de uma mulher que, pouco antes de morrer, agia como se embalasse um bebê. Ao conhecer sua história, Kerr soube que ela havia perdido um filho no parto muitos anos antes. O episódio ilustra como acontecimentos antigos podem reaparecer na experiência de um paciente, sem explicar o que provoca essas percepções.
O que a ciência ainda investiga
O fim da vida envolve alterações físicas e neurológicas, mas não há uma explicação definitiva para os sonhos e visões relatados nessa fase. Pacientes, familiares e profissionais descrevem os episódios; seus mecanismos e significados continuam em estudo.
Kerr observa que algumas dessas experiências são intensas e emocionalmente significativas para quem as vive. Profissionais de cuidados paliativos podem ouvir os relatos sem desconsiderar o que o paciente percebe, mesmo quando não é possível explicar o episódio.
Diferença para outros fenômenos
Essas visões não são o mesmo que experiências de quase morte, relatadas posteriormente por pessoas que sobreviveram a uma situação crítica. Os relatos estudados por Kerr ocorrem enquanto o paciente está no processo de morte.
Há também a chamada lucidez terminal: uma melhora inesperada e breve na capacidade de conversar ou reconhecer familiares em pessoas gravemente doentes, inclusive com comprometimento cognitivo. Segundo o relato publicado pelo Terra, isso não significa que a doença esteja regredindo. A causa desses episódios também permanece sob investigação.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: JohnMoss67/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
