Reforma tributária entra em teste, mas preços ainda não devem mudar
CBS e IBS já aparecem em notas fiscais; cobrança efetiva começa em 2027 e transição termina em 2033.
A reforma tributária começou a aparecer na rotina do consumidor em 2026, com as siglas CBS, da Contribuição sobre Bens e Serviços, e IBS, do Imposto sobre Bens e Serviços, nas notas fiscais. Apesar disso, ainda não há previsão segura de alta ou queda nos preços de supermercado, restaurantes, academias e outros serviços.
O motivo é que 2026 é um ano de testes do novo modelo. A cobrança efetiva dos tributos que formam o IVA começa em 2027, enquanto a substituição dos impostos atuais será concluída apenas em 2033. As alíquotas definitivas da CBS e do Imposto Seletivo ainda não foram definidas.
O que pode mudar no supermercado
A reforma prevê tributação zero para itens da cesta básica nacional e redução de carga para outros alimentos. Isso pode abrir espaço para preços menores, mas o desconto de imposto não garante redução automática nas prateleiras, segundo especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro.
O valor final também depende de fatores como safra, câmbio, transporte e concorrência entre estabelecimentos. Além disso, parte dos alimentos já tem desoneração de PIS/Cofins, e o ICMS continuará valendo em 2027 e 2028.
Produtos que receberão o Imposto Seletivo, como bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas, podem enfrentar pressão de custos a partir de 2027. Ainda não é possível calcular o tamanho do efeito porque a alíquota desse imposto não foi determinada.
Serviços podem sentir mais efeitos
Empresas de indústria e comércio poderão descontar parte dos impostos pagos em compras feitas durante a produção ou a revenda. Matéria-prima, embalagens, energia e transporte, por exemplo, podem gerar créditos tributários para esses negócios.
Nos serviços, esse espaço é menor porque salários e encargos trabalhistas não geram créditos de CBS e IBS. Salões de beleza, academias e escritórios dependem principalmente da contratação de profissionais, o que pode reduzir a capacidade de compensar tributos na cadeia.
Isso não significa que todos os serviços ficarão mais caros. A legislação prevê tratamentos diferenciados para setores como saúde, educação e algumas profissões regulamentadas, além de regimes específicos e da manutenção do Simples Nacional. Concorrência, custos e margem das empresas também influenciam o preço cobrado do cliente.
Próximas definições
Pela regra aprovada no Congresso, o Tribunal de Contas da União deve enviar ao Senado o cálculo da alíquota de referência até 30 de outubro. Os senadores terão até 15 de dezembro para oficializar a taxa que valerá em 2027.
Etapas citadas para a implantação dos novos tributos sobre consumo.
- 2026Ano de testesCBS e IBS nas notas
- 30 de outubroCálculo do TCUenvio ao Senado
- 15 de dezembroDefinição no Senadooficialização da alíquota
- 2027Cobrança da CBSsubstitui PIS/Confins
- até 2029ICMS e ISScontinuam em vigor
- 2033Fim da transiçãonovo modelo completo
Se isso não ocorrer, será aplicado provisoriamente o cálculo apresentado pelo TCU. Até a definição das alíquotas, empresários trabalham com estimativas e não conseguem medir com precisão o impacto do novo sistema sobre os preços.
Com informações de seudinheiro.com.
Foto de capa: Vice-Presidência da República/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
