Candidatos à Presidência propõem mudanças para filas e atendimento no SUS
Planos citam telemedicina, inteligência artificial, ampliação da atenção básica e ações de saúde mental.
Os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) apresentam propostas para reduzir a espera por consultas e exames no Sistema Único de Saúde (SUS). As medidas incluem uso de ferramentas digitais, atendimento remoto e, em parte dos planos, contratação ou aproveitamento de serviços privados.
O levantamento foi publicado pelo O Povo na terça-feira (23). Segundo dados do Ministério da Saúde citados pelo jornal, a espera média por atendimento especializado chegou a 57 dias em 2024.
Planos para diminuir a espera
Lula prevê ampliar o Agora Tem Especialistas, programa criado em 2025 que articula o SUS com hospitais privados para consultas, exames e cirurgias especializadas. O plano também fala em equipamentos para a rede pública e em sistemas que deem mais visibilidade à organização das filas.
Indicadores de espera e objetivos apresentados no levantamento.
- 57 diasEspera médiaAtendimento especializado em 2024
- 30 minutosAtendimento remotoMeta proposta por Augusto Cury
- 50%Filas prioritáriasRedução pretendida por Caiado
- 80%Atenção primáriaCasos que Renan Santos quer resolver
As demais candidaturas apresentam caminhos diferentes para o mesmo problema:
- Flávio Bolsonaro propõe usar equipamentos privados fora dos horários de maior movimento e recorrer à inteligência artificial nos agendamentos.
- Augusto Cury prevê uma plataforma nacional para permitir consultas online entre profissionais e pacientes de regiões distintas, além de meta de 30 minutos para atendimentos remotos.
- Ronaldo Caiado quer cortar em pelo menos 50% o tempo mediano das filas prioritárias nas áreas com maior demora até 2030.
- Romeu Zema defende acordos com a rede particular para exames, consultas e cirurgias, com metas de volume e qualidade.
- Renan Santos propõe classificar a fila por risco, gravidade e vulnerabilidade, modelo também citado no plano de Caiado.
Saúde mental e cuidados preventivos
Lula e Caiado defendem reforço à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Zema propõe financiamento compartilhado entre União, estados e municípios para ampliar a estrutura de atendimento, enquanto Cury prevê uma política nacional que envolva escolas, empresas, unidades de saúde, comunidades e forças de segurança.
Na atenção básica, Lula menciona equipes multiprofissionais, formação para saúde da família, continuidade do Mais Médicos e vacinação. Flávio Bolsonaro e Zema falam em ampliar a Estratégia Saúde da Família, e Cury propõe acompanhamento de famílias, prevenção de doenças e equipes com diferentes especialidades.
O plano de Renan Santos estabelece como objetivo resolver 80% dos casos na atenção primária. A proposta também inclui um sistema digital para vigilância epidemiológica preditiva.
Propostas voltadas às mulheres
O programa de Lula cita atendimento a pessoas com doenças ginecológicas crônicas, diagnóstico e tratamento precoces dos cânceres de mama e colo do útero, além da oferta de contraceptivos e insumos menstruais pelo SUS. Também prevê ações para reduzir a mortalidade materna.
Flávio Bolsonaro propõe ampliar a realização de exames e levar a Unidade Móvel de Saúde da Mulher a todas as regiões do país. Augusto Cury reúne em seu plano medidas de atenção materno-infantil, planejamento reprodutivo, prevenção do câncer e iniciativas relacionadas à saúde mental e à autoestima de meninas.
Com informações de opovo.com.br.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
