Prêmio Goncourt retira romance de disputa após suspeitas de uso de IA e plágio
Academia francesa diz que análises apontam provável uso amplo da tecnologia; autor ainda não respondeu às acusações.
A Academia Goncourt retirou o romance C'était ça ou mourir, do escritor canadense Thélyson Orélien, da disputa pelo prêmio literário francês nesta sexta-feira (25). A decisão veio após acusações de que o livro teria sido escrito em grande parte com inteligência artificial e de que conteria trechos plagiados.
Segundo a academia, análises feitas por pesquisadores e jornalistas apontam que a obra é, provavelmente, em grande parte produto de IA. A instituição não apresentou a conclusão como uma certeza. O livro era considerado um dos favoritos da temporada de premiações na França.
De onde vieram as acusações
A suspeita de uso de IA surgiu no início da semana, em uma publicação de uma conta anônima no X. Dois dias depois, vieram acusações de plágio de textos publicados há mais de uma década no Canadá. As alegações deram início à controvérsia que levou à retirada do romance da competição.
Acusações antecederam a retirada do romance da disputa.
- início da semanaSuspeita de uso de IAAcusação publicada em conta anônima
- Dois dias depoisAcusações de plágioTextos publicados no Canadá
- sexta-feira (25)Saída da disputaDecisão da Academia Goncourt

Na sexta-feira, o ensaísta francês Samuel Fitoussi afirmou ser o responsável pela conta que publicou a primeira acusação. Em uma postagem no X, ele disse que a iniciativa fazia parte de um projeto coletivo.
Reação do autor e da editora
Orélien, que também tem nacionalidade haitiana, disse à AFP que está “pronto para se pronunciar quando as coisas se acalmarem”. Ele afirmou sentir que os ataques se dirigem não apenas ao livro, mas também à sua voz. O escritor estava na França, onde tinha compromissos de divulgação da obra.
No Canadá, país ao qual Orélien chegou em 2010, a editora Boréal anunciou a suspensão das atividades promocionais ligadas ao livro. A academia não informou, no material divulgado, se a decisão sobre a candidatura poderá ser revista.
Com informações de g1.
Foto de capa: Yann Caradec from Paris, France/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
