Escritor nega uso de IA em romance finalista de prêmios na França
Thélyson Orélien afirma que acusações sobre o livro “C'était ça ou mourir” são parte de ataques racistas.
O escritor canadense nascido no Haiti Thélyson Orélien negou ter usado inteligência artificial para escrever o romance C'était ça ou mourir, publicado na França em 19 de agosto pela Grasset. A acusação surgiu após uma conta anônima na rede X divulgar uma análise do detector Pangram, segundo a qual mais de 95% da obra teria sido gerada por IA.
O livro venceu o Prêmio Fnac na segunda-feira (22), está entre os selecionados de premiações literárias francesas, como o Goncourt, e vendeu cerca de 35 mil exemplares. Orélien disse ao jornal Libération que escreve por gosto e não teria motivo para recorrer a uma máquina.
Acusação partiu de conta anônima
A conta que levantou a suspeita se chama “Balance ton Claude” e foi criada recentemente, segundo o Le Monde. A publicação ganhou alcance depois de ser compartilhada por pessoas ligadas à direita francesa, informou o jornal.
Dados citados sobre o romance e a acusação de IA.
- cerca de 35 milExemplares vendidosdo romance
- mais de 95%Classificado como IApela ferramenta Pangram
- cerca de vintePaíses com direitos vendidosantes da publicação
O Le Monde também chamou atenção para os limites de detectores de IA, sobretudo em textos em francês com influências linguísticas variadas. Já o Le Figaro relatou que submeteu textos antigos de Orélien, anteriores à popularização da IA generativa, ao Pangram: eles foram classificados como humanos, enquanto trechos do romance receberam a marca de “100% IA”.
Autor e editora contestam suspeita
Em entrevista ao Libération, Orélien afirmou que as repetições e construções rítmicas apontadas por críticos fazem parte de sua escrita e de sua formação como poeta. Ele declarou que vem sofrendo ataques racistas desde sua chegada à França e que reúne documentos com as editoras francesa e canadense para sustentar sua versão.
A Grasset condenou declarações que classificou como maliciosas e disse que elas atingem o autor. Segundo a reportagem, não há prova conclusiva de que Orélien tenha usado IA na redação do livro.
Debate alcança a temporada literária
Antes da publicação, os direitos do romance foram vendidos para cerca de vinte países, de acordo com o Libération. O caso passou a alimentar discussões na França sobre a confiabilidade de ferramentas de detecção, autoria e os efeitos da IA generativa na produção literária.
A controvérsia ocorre enquanto o romance disputa espaço nas principais premiações francesas. A reportagem afirma que o episódio pode influenciar os debates entre jurados nas próximas semanas.
Com informações de g1.
