São Paulo amplia uso de câmeras na segurança e debate proteção de dados
Prefeitura detalhou o uso de reconhecimento facial e leitura de placas; pesquisador da USP pediu transparência sobre os resultados.
A Prefeitura de São Paulo apresentou o uso de câmeras e sistemas de reconhecimento na segurança da cidade durante um evento realizado na sexta-feira (25). Segundo a secretária municipal de Segurança Urbana, Juliana Bussacos, a tecnologia ajuda a identificar pessoas procuradas pela Justiça e a orientar o trabalho dos agentes.
Bussacos afirmou que a cidade dispõe de 20 mil câmeras municipais, com recursos como reconhecimento facial e alertas de intrusão, além de integração com equipamentos privados. No mesmo encontro, o professor Marcelo Finger, da Universidade de São Paulo (USP), defendeu que os resultados desses sistemas sejam avaliados com dados e que o uso das informações coletadas seja discutido publicamente.
Câmeras públicas e privadas
Os números apresentados no evento se referem a redes diferentes:
Dados apresentados por representantes da prefeitura e da empresa Gabriel
- 20 milCâmeras municipaisNúmero informado pela secretária
- 22 milCâmeras da GabrielInstaladas em 8 mil prédios
- 8 milPrédios com equipamentosRede informada pela Gabriel
- 4 milhõesPlacas lidas por diaSegundo o fundador da Gabriel
| Rede | Câmeras informadas |
|---|---|
| Prefeitura de São Paulo | 20 mil |
| Empresa Gabriel | 22 mil |
Eric Coser, fundador da Gabriel, disse que os equipamentos da empresa estão instalados em 8 mil prédios. Segundo ele, a rede também faz a leitura de 4 milhões de placas de veículos por dia.
Como funcionam os alertas
De acordo com Bussacos, agentes da Guarda Civil Municipal verificam se há um mandado de prisão ativo antes de enviar uma viatura, acionada com base na localização do alerta. No reconhecimento facial, o despacho ocorre quando o sistema aponta 92% de similaridade; para a localização de pessoas desaparecidas, o índice informado é de 85%.
A secretária afirmou que a tecnologia auxiliou na prisão de mais de 3,6 mil foragidos da Justiça. Ela também disse que a contagem de prisões com auxílio do reconhecimento facial começou em novembro de 2024.
Dados pessoais e acesso aos serviços
Finger chamou a atenção para a quantidade de informações pessoais captadas por dispositivos digitais. Para o professor, a população precisa conhecer o funcionamento das ferramentas de monitoramento e ter acesso a evidências sobre sua eficácia, além de discutir medidas de proteção da privacidade.
Segundo Bussacos, moradores já podem registrar boletins de ocorrência pelo celular e solicitar medidas protetivas digitalmente. A secretária não detalhou, no evento, os canais para fazer essas solicitações.
Com informações de metropoles.com.
Foto de capa: Thomas Hobbs/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
