Moradora de Suzano relata adaptação à audição após implante coclear
Maria Angélica Monteiro da Silva voltou ao trabalho, mas ainda enfrenta dificuldades para entender conversas em locais barulhentos.
A agente comunitária de saúde Maria Angélica Monteiro da Silva, de 45 anos, relata que voltou a reconhecer sons e vozes após receber um implante coclear bilateral. Moradora de Suzano (SP), ela passou pela cirurgia em 9 de abril de 2025, no IOU/Unicamp, em Campinas, depois de anos de perda auditiva progressiva.
Maria Angélica começou a perceber a dificuldade para ouvir em 2013 e recebeu o diagnóstico de otosclerose severa. Segundo ela, os aparelhos auditivos deixaram de ajudá-la o suficiente à medida que a perda avançou até o grau profundo. Seu relato foi publicado pelo portal Hoje Diário durante o Setembro Azul, mês de conscientização sobre os direitos da comunidade surda.
A adaptação aos sons
Depois da ativação do implante, Maria Angélica precisou aprender a reconhecer e interpretar o que ouvia. Ela contou ao Hoje Diário que, no início, os sons pareciam altos e estranhos. O barulho do mar foi o primeiro que ficou marcado em sua memória.
Com os ajustes do dispositivo e a prática diária, passou a distinguir melhor sons e vozes. Ela segue em acompanhamento no IOU, em Campinas, para os mapeamentos do implante coclear.
Barreiras nas conversas
A melhora permitiu que Maria Angélica retomasse as visitas domiciliares como agente comunitária de saúde na USF Jardim Ikeda, em Suzano. Ainda assim, ela relata dificuldade para compreender falas quando há barulho ou várias pessoas conversam ao mesmo tempo.
Nessas situações, continua a recorrer à leitura labial. Em sua experiência, aumentar o volume da voz não necessariamente facilita a comunicação.
Direitos e atendimento
O Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro, integra as mobilizações do Setembro Azul. A data remete à fundação, em 1857, da primeira escola para surdos do Brasil, hoje Instituto Nacional de Educação de Surdos. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida por lei como meio legal de comunicação e expressão.
Marcos da experiência de Maria Angélica e informações sobre direitos
- 2013Início da perda auditivaAno relatado por Maria Angélica
- 9 de abril de 2025Cirurgia do implanteProcedimento bilateral no IOU/Unicamp
- mais de 12 milViolações registradasRegistros do Disque 100 em 2026
- 24 horasAtendimento do Disque 100Canal gratuito com atendimento em Libras
Segundo os dados citados pelo Hoje Diário, o Disque Direitos Humanos – Disque 100 registrou mais de 12 mil violações de direitos humanos contra pessoas com deficiência auditiva e surdez no Brasil em 2026. O canal recebe denúncias gratuitamente, funciona 24 horas por dia e oferece atendimento em Libras por videochamada.
Com informações de hojediario.com.
Foto de capa: João Paulo Chagas/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
