Mais de 15% dos brasileiros relatam depressão ao longo da vida
Estimativas citadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde apontam alta frequência do transtorno no país, com possível subnotificação.
Pelo menos 15,5% dos brasileiros já relataram depressão em algum momento da vida, segundo estudo epidemiológico do Ministério da Saúde citado pelo Correio do Povo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima uma prevalência entre 5,8% e 12,7% da população brasileira.
A depressão é um transtorno multifatorial, associado à combinação de predisposição genética, alterações bioquímicas, doenças físicas, ambiente social e familiar e eventos traumáticos. O psiquiatra Marco Antonio Caldieraro, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), afirma que os números precisam ser interpretados com cautela, pois estimativas de prevalência têm margem de erro.
Dados exigem cautela
Segundo Caldieraro, as estimativas permitem afirmar que a depressão é um problema de saúde pública frequente no mundo e no Brasil. Ele observa que alguns levantamentos apontam uma ocorrência possivelmente um pouco maior no país do que em outras nações, mas sem certeza sobre posições em rankings internacionais.
Estimativas e indicadores mencionados na reportagem.
- 5,8% a 12,7%Prevalência estimadaestimativa da OMS
- 15,5%Relato ao longo da vidaestudo do Ministério da Saúde
- 9h13minTempo de tela diáriolevantamento da Electronics Hub
- 188Atendimento do CVVligação gratuita nacional
O Ministério da Saúde aponta alta probabilidade de subnotificação. A notificação de casos de depressão não é obrigatória, e parte das pessoas pode não identificar os sintomas como um problema de saúde ou não conseguir atendimento especializado, especialmente em quadros mais complexos pelo SUS.
Sintomas e fatores associados
Entre os sinais relacionados à depressão estão:
- apatia e tristeza persistente;
- autodesvalorização e culpa;
- falta de energia;
- alterações de apetite;
- redução da libido;
- sintomas físicos difusos.
Em crianças, falta de energia, apatia e irritabilidade podem indicar comportamento depressivo, de acordo com o médico. Em idosos, isolamento social, mau humor, pessimismo e atenção constante a aspectos negativos podem ser confundidos com características do envelhecimento e retardar a busca por tratamento.
O levantamento da Electronics Hub citado na reportagem coloca o Brasil na segunda posição mundial em tempo médio diário diante de telas, com 9h13min por dia. O especialista ressalta que não há relação causal direta comprovada entre uso excessivo de telas e depressão, mas afirma que um comportamento pode contribuir para a manutenção do outro.
Onde buscar atendimento
Caldieraro afirma que médicos de família e clínicos gerais podem diagnosticar e tratar casos mais simples, enquanto situações mais complexas podem exigir atendimento especializado. Segundo a reportagem, dificuldades de acesso a esses profissionais no SUS são um obstáculo para parte dos pacientes.
O SUS atua em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV) em casos de ideação suicida. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, de telefones fixos e celulares em todo o país.
Com informações de correiodopovo.com.br.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
