Reduzir ultraprocessados foi associado a menos sintomas de depressão em estudo
Ensaio com 20 adultos encontrou melhora durante uma dieta com forte redução desses alimentos, mas pesquisadores pedem cautela.
Um ensaio clínico com 20 adultos diagnosticados com depressão associou a redução de alimentos ultraprocessados a uma melhora nos sintomas depressivos e de ansiedade. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco e publicado no JAMA Psychiatry, comparou a alimentação habitual dos participantes com períodos de dieta que cortava em até 85% o consumo desses produtos.
Durante a fase de menor consumo de ultraprocessados, a pontuação média de sintomas de depressão caiu de 21,6 para perto de 8 em uma escala usada pelos pesquisadores. Na alimentação habitual, ficou em torno de 19. Os autores, porém, afirmam que os resultados não mostram que mudar a dieta substitui psicoterapia, medicamentos ou outros tratamentos indicados.
Como a pesquisa foi feita
Os participantes tinham entre 18 e 80 anos, apresentavam sintomas relevantes de depressão e consumiam muitos ultraprocessados antes do estudo. Todos tinham sobrepeso e cerca de metade convivia com pressão alta, segundo a pesquisa.
Resultados observados entre os participantes durante o estudo.
- 20Participantesadultos com depressão
- 85%Redução máximano consumo de ultraprocessados
- 21,6Pontuação inicialem escala de sintomas
- próximo de 8Durante a dietaem escala de sintomas
- em torno de 19Alimentação habitualem escala de sintomas
Os voluntários alternaram períodos com sua alimentação cotidiana e outros com forte redução de ultraprocessados. Esse formato permitiu que cada pessoa fosse comparada com ela mesma em momentos diferentes.
Quais alimentos entram nessa categoria
Ultraprocessados são formulações industriais feitas principalmente com substâncias derivadas de alimentos e ingredientes que alteram sabor, textura, aparência ou durabilidade. A fonte cita como exemplos refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo e alguns produtos prontos para consumo.
Reduzir esses itens não significa eliminar todo alimento embalado. A mudança proposta no estudo se refere especificamente a diminuir a participação dessas formulações na dieta.
Limites dos resultados
O número de participantes foi pequeno, o que exige cautela na interpretação. Os pesquisadores também não conseguiram separar qual aspecto da mudança alimentar estaria ligado à melhora: junto da redução de ultraprocessados, podem ter caído o consumo de açúcar, gorduras ou o total de calorias.
A pesquisa ainda considera a possível influência de aditivos, aromatizantes e conservantes, mas serão necessários estudos maiores e com grupos mais diversos. A depressão envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais e pode requerer acompanhamento profissional, psicoterapia, medicamentos ou a combinação dessas estratégias.
O que o estudo indica
Os achados sugerem que a qualidade da alimentação pode integrar uma abordagem mais ampla para a saúde mental. Eles não permitem concluir que ultraprocessados causem depressão isoladamente nem que retirá-los da dieta seja suficiente para tratar o transtorno.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: Bruce Damonte and Rafael Viñoly Architects/Wikimedia Commons (CC BY 2.5)
